Pular para o conteúdo principal

Colesterol, o vilão?

   





     O colesterol é um lipídeo composto de uma hidroxila e 27 carbonos que são distribuídos em  4 anéis de esteroide e uma cadeia alifática. É uma molécula hidrofóbica, anfipática, apenas solúvel em gorduras, necessitando de lipoproteínas para se transportar pelo sangue. O HDL, lipoproteína de alta densidade, apresenta mais proteínas que gorduras, é responsável pelo transporte do colesterol  das células para o figado, afim de excreta-lo. O LDL, lipoproteína de baixa densidade, apresenta mais gorduras que proteínas sendo responsável pelo transporte do colesterol do fígado para as células.
     É um composto que participa de funções essenciais no organismo. Atua desde a fase inicial do feto até o fim da vida do individuo. É  responsável por dar rigidez a membrana plasmática das células, controlando sua fluidez. O colesterol é localizado entre os fosfolipídeos, sua hidroxila interagindo com a cabeça apolar dos fosfolipídeos e seus anéis de esteroide e cadeia alifática localizados  no interior da membrana. Quanto maior a quantidade de colesterol na membrana mas rígida e menos fluida ela se torna. 
     Também pode atuar como precursor de ácidos biliares, importantes na digestão de gorduras. No figado o colesterol recebe um grupo hidroxila resultando 7 alfa-hidroxicolesterol que é convertido em um colil-coA ou quenodesoxil-coA, que são associados a glicina e taurina, e assim são secretados na vesícula e depois vão para o duodeno auxiliar na digestão.
     O colesterol é um precursor de hormônios esteroides, que atuam em funções importantes no corpo. Este processo ocorre a partir da clivagem da cadeira lateral, transformando o colesterol em pregnenolona que gera progesterona e a partir dela são gerado os outros hormônios.
     Atua também como precursor de vitamina D3, pró-hormônio, que atua no metabolismo de cálcio e vitaminas A,D,E e K. A radiação uv transforma 7 desidrocolesterol (intermediário da via síntese de colesterol) em pró-vitamina D3 que é biologicamente inerte. E após algumas reações a pró-vitamina D3 é convertida em vitamina D3.
     Por conseguinte, o colesterol é uma importantíssima molécula que participa de funções essenciais para o bom funcionamento do organismo. Pode ser produzido pelo próprio corpo ou consumido através de alimentos de origem animal. Muitos associam o consumo do colesterol com doenças cardiovasculares. Ocorreram estudos que afirmam que o excesso de colesterol no organismo aumenta a concentração de LDL, e esta lipoproteína ao atingir um limite crítico se acumula nas paredes da artéria formando placas e prejudicando o fluxo de sangue, o que ocasionava em doenças cardiovasculares. 
     Através desses estudos e artigos publicados ocorreu uma espécie de criminalização do colesterol, sendo incentivado a sua redução e até  sua abolição na dieta. A partir de então vem crescendo o número de remédios que inibem a produção de colesterol no organismo. Estes apresentam sua eficácia na inibição do colesterol e também inúmeros efeitos colaterais. O que estimula diversas questões sobre esses tipos de remédios, sua real necessidade, seu mecanismo de ação e se não existem outros métodos mais eficientes e menos danosos.

Publicado por: Ellen Arcanjo Dourado, 150124015


Referências:


Santiago, M.A.M.C., Porto, 2011. Disponível em:<http://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/2278/3/TM_15292.pdf> Acesso em: 16/062017

Perrone, A.; Amorim, J.; Freitas, M. e Souza, T.; Vivendo com saúde:colesterol; São Paulo; Edição 4. Disponivel em <http://www.baruco.com.br/blog/vivendo_com%20saude_ed4.pdf>. Acesso 16/06/2017

Matheus, J.,P.; Biossíntese do colesterol, Rio Grande do Sul, 2013. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/lacvet/site/wp-content/uploads/2013/10/colesterolJuliana.pdf>. Acesso em: 16/06/2017.

Sobre gorduras; A importância do colesterol; 2011; Disponível em: <http://sobregorduras.blogspot.com.br/2011/06/importancia-do-colesterol.html>. Acesso em: 16/06/2017.
















Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como atuam as estatinas

              SÍNTESE DO COLESTEROL        O colesterol pode ser obtido  através da alimentação e pode ser sintetizado pelo próprio organismo. A síntese do colesterol no organismo ocorre no citosol e retículo endoplasmático da célula. Esse processo consiste em 28 etapas, o seu início se da através da associação de três moléculas de acetil-coA , que resulta em HMG-coA. A segunda etapa, onde a enzima HMG-coA redutase que catalisa a conversão de HMG-coA em melavonato, é a etapa limitante da síntese de colesterol. É nessa etapa que age a estatina, bloqueando a enzima HMG-coA redutase e assim inibindo a conversão de HMG-coA em melavonato e, por conseguinte, a síntese de colesterol.                             Mecanismo da estatina                             Essa ...

Estatina e a coenzima Q10

            A CoQ10 ou ubiquinona é uma coenzima  presente na maioria das células dos organismos e participa da produção de ATP. Apresenta maior quantidade em órgãos que necessitam de uma grande quantidade de energia como o coração, rins, fígados e cérebro. Apresenta uma função de antioxidante, já que possui uma capacidade de transferir elétrons, e é usada em tratamentos para distúrbios relacionados ao estresse oxidativo como hipertensão, infarto agudo do miocárdio, mal de parkinson entre outras.Esse uso é proibido nos EUA mas utilizado em outros países.    Essa coenzima pode ser obtida através da ingestão de carnes, aves, peixes (que são mais ricos de CoQ10), nozes, soja, vegetais como brócolis e espinafre ( apresentam uma quantidade pequena da coenzima). Também pode ser produzida pelo organismo em duas partes: A partir da tirosina e a partir do acetil-coA, este é sintetizado na síntese do colesterol, via do malevonato. A ubiquinona...

Tratamento de esclerose múltipla com estatinas

         A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que afeta o sistema nervoso e é desencadeada por uma lesão primária na bainha de mielina, uma capa de tecido adiposo que protege células nervosas ligadas ao sistema nervoso central e que são responsáveis pela comunicação entre o corpo e o cérebro. A etiologia dessa doença não é muito conhecida mas existem indícios de se tratar de uma etiologia autoimune. A (EM) pode se manifestar de forma branda ou drástica, com alguns sintomas ligados a distúrbios sensoriais.     Uma paciente de 34 anos com (EM) iniciou seu acompanhamento no Centro de Estudos Triangulino de Esclerose Múltipla (CETEM) da Universidade Federal de Uberlândia, onde se tratava com interferon-beta 1ª. Após efeitos colaterais ela recusou o tratamento com qualquer medicamento injetável para a doença. Depois de um tempo foi proposto um novo tratamento à base de rosuvastatina (estatina) que comparada à as outras estatinas era a que...